terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Recado À Mãe Divina

Essa música marcou meu Natal e vai guiar meu início de ano... 
Feliz 2012 a todos!!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Des-cobrir

Engraçado o descobrir...
Tenho descoberto tantas coisas e
Sempre com cada vez mais certeza de que a ação é realmente
Des-cobrir
Tudo sempre esteve lá, apenas estava coberto...
Curioso, interessante, intrigante, extasiante

Detenho-me diante daquilo que me causava estranheza
E hoje me causa deslumbre
Reflito sobre o que me causava aversão
E hoje me causa fascínio

Não há realmente, hoje estou certa disso,
Nada mais íntegro do que não se deter nas partes
E, afinal, que somos nós, senão apenas partes...


sábado, 12 de novembro de 2011

Alguma poesia...

O que sobra?

Há um momento, um único momento, em se pode aprisionar a existência
Por uma fração de segundos
Em presença profunda
Inundada por tudo que existe
Minha alma se sente plena
Plena de mim, de você, de existir, de sentir
Nesse segundo apenas
Nesse momento completo, em que tudo sobra e nada falta
Aí está a verdade
O sentido e a completude
Quisera eu, experimentar mais um pouco
Quisera eu, que um segundo fossem dois
Mas não são
É apenas isso, já passou
O que fica então?
O que sobra desse tudo que me inundou?
É bom que eu saiba,
Pois é com o que sobrou que irei conviver pela eternidade
E não com o segundo que já se foi...


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ansiedade, expectativas e decepções...

...texto excelente, pra ser lido todos os dias!!

Ansiedade, expectativas e decepções...

por Jaime Benedetti - jaime.benedetti@uol.com.br

A vida acontece quando estamos prontos.

Quanta ansiedade, quantas expectativas, quantas decepções geramos na vida! Quantas vezes nos decepcionamos com coisas e situações que acontecem em nosso cotidiano! Quantas e a troco de quê?

Outro dia, falando com um amigo, ele me disse em desabafo que estava farto de tantas decepções em sua vida. Era traição da namorada, incompreensão da família, falsidade no trabalho, pois tinha um excelente cargo e um promissor plano de crescimento na empresa em que trabalhava, mas por motivo de doença teve de se afastar por um tempo e um colega assumiu seu posto. Tempos depois perdeu o cargo e o emprego e nada mais dava certo em sua vida. Simplesmente, o chão onde pisava desapareceu.

Como bom amigo, fui logo falando francamente, na expectativa de poder consolá-lo. Mas tomei um susto quando ele me olhou com os olhos vermelhos e esbugalhados e com o dedo em riste, retrucando:

- Quem você pensa que é para me dar conselhos?

Que decepção ouvir isso de um amigo, ainda mais de um amigo que eu gostaria de ajudar naquele momento tão difícil da sua vida. Mesmo assim, me esforcei e relevei sua rudeza.

Nosso maior aprisionamento vem da ansiedade e da expectativa!

Comecei explicando para ele que os maiores aprisionamentos espirituais são pela ansiedade, pelas expectativas, pelas emoções negativas como mágoas, raivas, rancores, rejeição, abandono, ódio etc. Quando nos libertamos dessas emoções, tomamos consciência de nós mesmos, do nosso valor, da responsabilidade com nossas escolhas, da consciência de que somos os únicos responsáveis pela nossa luz e pelas nossas sombras. Por isso, quando nos centramos, equilibramos e respeitamos nossos valores e nossas razões. Conseguimos enxergar além das aparências, além das ilusões emocionais, e tudo acaba acontecendo como que por encanto.

Por incrível que pareça, a ansiedade e as expectativas são responsáveis pela nossa ignorância e pelos atrasos dos acontecimentos. Quando nos libertamos da ansiedade e das expectativas, tudo acontece. Esse é um ensinamento comprovado, transmitido pelas Escolas Espiritualistas e pelos Grandes Mestres.

Quando tomamos consciência, a vida acontece naturalmente!

Quando tomamos consciência de nós mesmos, do nosso valor, do que até então estávamos fazendo conosco – abrindo mão do nosso poder para outras pessoas, entregando a nossa paz, nossa serenidade, nossa alegria, nossa competência, nossa carreira, nosso casamento, nossa felicidade, ao imediatismo, à solução fácil oferecida por estranhos nas esquinas –, a vida simplesmente, naturalmente, acontece!

Quando nos liberamos da ansiedade e das expectativas, irrompem os acontecimentos. A vida realmente é muito sábia, extraordinariamente sábia! Somente quando tomamos consciência e nos libertamos é que a energia se aproxima e gera os contatos para que fortaleçamos os nossos sentimentos, nossa tomada de consciência, nossa percepção, reforçando de forma definitiva nossos posicionamentos. Os Mestres e Protetores são compassivos, amorosos e pacientes em nos esperar.

Na maioria das vezes, ficamos presos numa ansiedade e expectativa com relação aos acontecimentos mais marcantes em nossas vidas, aguardando que algo aconteça. Ficamos presos, amarrados numa situação que nos desgasta e nos empurra para a decepção.

A grande sacada para nos libertarmos dessa situação é deixar acontecer!

Já imaginaram plantar uma semente e ficar sentado olhando para o vaso, aguardando a mudinha aparecer na superfície da terra? Ora, é a mesma coisa. Haja paciência!

Plante a semente e esqueça. Vá cuidar de outros afazeres, pois num belo dia, quando menos se espera, a mudinha brotará linda e formosa. E se a semente estiver estragada e não vingar, não se decepcione. Plante outra e mais uma e tantas outras que certamente algumas brotarão!

Então, você saberá: controle a ansiedade, acabe com as expectativas e não haverá decepções.

A vida acontece somente quando estamos prontos!


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Culpas...

Curioso pensar quantas culpas impostas por uma moral judaico-cristã nos impedem de experimentar o melhor de nós! 
Que seria da vida, desde sua origem mais remota, sem a raiva, sem a sexualidade, sem o medo, sem os instintos todos em que estamos imersos... Certamente jamais teria sido vida!!! Certamente, sem isso tudo, sequer estaríamos aqui hoje pensando sobre isso...
Que megalomania insana pode nos levar a crer que podemos simplesmente ignorar, fugir de ou anular bilhões de anos de evolução? Que ridícula petulância nos faz crer que a vida seja menos angelical que a morte? Que possam haver "coisas do céu" e "coisas da terra"... Onde está a Terra, senão flutuando no "céu"? E aí tem se mantido pela perfeição absoluta das coisas que simplesmente existem...
Talvez seja isso, nós simplesmente existimos e, meu Deus, como isso basta! Por que não utilizar nosso infinito potencial, ao invés de infantilmente acreditar que devemos matá-lo dentro de nós... Talvez, ao tentar matar minha raiva, minha sexualidade, meus medos e meus instintos, eu mate o melhor de mim! Por que não utilizar a energia para iluminar o mundo, ao invés de tentar apagar todas as luzes?!...



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Transformação

"O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação."

Carl Custav Jung

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A vida...

A vida é realmente um quadro impressionista... É preciso ganhar certa distância, pra ser capaz de apreciar a beleza, a complexidade e a totalidade da obra! E que obra divina e deslumbrante ela é!!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Surpreendente gratidão!

Não posso deixar de maravilhar diante da nossa incapacidade de prever a vida... Não importa quanto conhecimento tenhamos, quanta experiência de vida, quanta precaução... Não importa nada, pois, de uma forma ou de outra, a vida sempre é capaz de nos surpreender!

Diante da sensação de desconserto, de desorientação, de confusão após a consumação do imprevisível, o que fazer?? O que nos resta a não ser admirar, admirar o fluxo da vida e a impermanência onipresente...

Só posso, hoje, sentir-me grata por existir e pela existência do outro que se faz presente em minha vida, sendo a manifestação divina que ele é, da forma que é... Pouco importa se as surpresas da vida me fazem rir ou chorar, amar ou odiar, desejar ou repelir... O que de fato importa é que todos estamos vivos, existimos e, certamente, aprendemos! Grata pelo dia de hoje!!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Desconstrução...

Quem nunca brincou na praia, construindo castelos de areia?... Castelos enormes, horas de trabalho atento... E quem não se divertiu imensamente vendo as ondas levarem embora o trabalho (com certa angústia às vezes, é verdade!) ou, melhor ainda, se deu o prazer de chutar aquele monte de areia na cara de alguém?... 


Passamos a vida toda construindo castelos, formando padrões, alimentando crenças... A melhor profissão, o emprego ideal, o casamento perfeito, noções de moral... Carregamos uma infinidade de etiquetas com as palavras: CORRETO, CONVENIENTE, ADEQUADO e passamos a vida tentando descobrir onde devemos pregá-las. E, de repente, quando achamos que já conseguimos rotular tudo e todos, quando achamos que sabemos o que é certo, o que é melhor e o que convém, vem a onda...


Desmorona, derruba, desconstrói... E que maravilhoso, meu Deus!, que delícia observar todo aquele entulho indo embora, todos os castelos de certezas desmoronando e restando apenas o espaço, o espaço limpo, sem conceitos, sem rótulos, sem verdades e sem certezas... O maravilhoso espaço onde tudo pode realmente acontecer!!



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Reiki agora têm explicação científica

"Pesquisas recentes comprovam efeitos benéficos e até encontram explicações científicas para acupuntura e reiki. Estudos sobre o assunto, antes restritos às universidades orientais, ganharam espaço entre pesquisadores americanos, europeus e até brasileiros. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou uma denominação especial para esses métodos: são as terapias integrativas."

Acupuntura e reiki agora têm explicação científica

Interessante matéria da Revista Galileu, vale a pena conferir na íntegra!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quem sou eu?

Não sou meu nome, minha profissão, meu status profissional ou social, não sou minhas relações sociais ou afetivas, não sou o meio, não sou nada que eu possa dizer que sou...
Eu sou uma forma de experimentar a existência... E que prazer saber que há infinitas outras formas!




segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A morte...

Só qdo somos capazes de aceitar com serenidade e amor aquilo que chamamos de "terrível" na morte, é que somos capazes de aceitar naturalmente a morte dos ciclos, como fim e recomeço... Aí então, tudo flui!
Tão precioso quanto sentir o início, é respeitar o tempo de vida de todas as coisas, pois tudo tem seu tempo... E o fim é tão belo quanto o início!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mestres na Arte de Viver

A Revista Bem-Estar, do Diário da Região de São José do Rio Preto, publicou, na edição de agosto, uma matéria com entrevista de Ravi Shankar, e alguns comentários sobre alguns outros gurus orientais... Segue trecho de meus comentários para a matéria...
Para ver a versão digital da matéria (e da publicação) na íntegra, clique aqui.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Espaço para a Manifestação


Não se planta uma árvore, sem abrir uma cova.
Não se constroi uma casa, sem um terreno.
Não se pode ouvir um som, sem o silêncio em que ele possa ecoar...
Nada do que desejamos pode se manifestar em nossas vidas sem o espaço, sem o vazio que acolhe a manifestação... Havendo espaço, tudo acontece naturalmente!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Shivaísmo da Caxemira 2

Shivaísmo da Caxemira: a Escola das Tríades


Texto de João Gonçalves 
em O Som e a Escritura


Quando pensamos sobre os mistérios da existência do ser humano (e do universo) a partir dos ensinamentos do Shivaísmo, o conceito mais importante que vem à tona é o da tríade shiva(Consciência divina)-shakti(Manifestação)-nara(Indivíduo). Em segundo lugar, a tríade icchā(Desejo)-jñāna(Conhecimento)-kriyā(Ação).
A palavra sânscrita “trika” quer dizer tríade. É essa uma das formas de referir à tradição shivaíta caxemire, que, em verdade, não consiste de uma única doutrina, mas é um grupo de doutrinas interdependentes. De certa forma, Trika pode ser considerada como uma nomeação que provém do interior da tradição, enquanto que “Shivaísmo da Caxemira” nomeia a tradição a partir e em função do olhar externo. Traduzindo, essa escola iniciática chama-se Escola das Tríades. Belíssimo!
O ponto chave da tradição é compreender que, em essência, consciência divina (Shiva), manifestação (Shakti) e indivíduo (Nara) são idênticos. Trata-se então de um monismo (mono = um) pleno. Dá-se o nome de monistas às tradições espirituais que afirmam que a multiplicidade que presenciamos no mundo existe apenas superficialmente e, conforme, aprofundamos nossa percepção, o que é múltiplo demonstra-se como unitário. Uma palavra sânscrita que é usualmente empregada com essa intenção é “abheda” – literalmente: “não multiplicidade”.
Encaramos as diferenças pessoais como fatores determinantes para construir nossa própria imagem. Isto é, nossa auto-imagem tem origem na representação que fazemos do outro. Com isso, para a experiência no mundo ser positiva, é necessário que o indivíduo diferencie bem aquilo que ele é daquilo que ele não é. Essa visão não está equivocada, porém, gera um condicionamento que impede (e, no melhor dos casos, dificulta) a vivência de estados mais elevados de consciência. É bem vindo e necessário que saibamos diferenciar os vários níveis de existência: no nível denso, somos múltiplos, mas, no nível sutil, somos uma unidade.
Dado que a tríade afirma que consciência divina, manifestação e indivíduo são, em essência, idênticos, a crença profunda nas diferenças faz com que as tentativas de saltos da consciência do aspirante sejam reduzidas ao nível da experiência pessoal apenas. Como isso se modifica?
A explicação é longa. De acordo com a tradição, a criação do mundo não antecede a criação da consciência, como na visão dos evolucionistas. Também não há um criador que produz um mundo como um objeto externo a si mesmo, como na visão dos criacionistas. O mundo é emanação da consciência divina. Pensa-se no fogo e na combustão, inseparáveis, indistinguíveis. Eis aí a identidade entre dois elementos da tríade: divino (consciência) e mundano (manifestação) são idênticos. Um calor intenso, excessivamente intenso, é gerado no seio da luz da consciência divina e esta se transforma, num desdobramento expansivo descomunal, e torna-se então o mundo. Nesse ato de expansão, há também o ato de multiplicação: a consciência una manifesta-se sob múltiplas formas, expressando-se assim sob as consciências individuais.
E, então, estamos todos aqui, múltiplos, indivíduos que manifestam a consciência divina sob forma individual, em um incessante experimentar de tudo o que é sensorial. E isto não é um problema, nem uma queda, nem um efeito colateral da criação. É o que é. Somos o que somos. Se existe satisfação com essa condição, não há nenhum julgamento moral com relação a ela. Há, entretanto, os indivíduos que anseiam por uma superação de sua atual condição. Os indivíduos que não se satisfazem com o incessável buscar pelas relações e objetos exteriores.  E, para eles, a tradição iniciática propõe um descondicionamento de sua maneira de verem a si mesmos. Ao assumir que existe um vazio inerente às experiências comuns, procura-se preencher esse vazio com outras formas de vivência que resultam numa outra maneira de perceber-se e portar-se diante do mundo.
Trata-se então de um auto-reconhecimento (pratyabhijñā). Ver-se a si mesmo e redescobrir que a própria consciência é luz. Uma luz que está limitada. Nosso ser é uma expressão contraída do ser divino.
Uma prática contemplativa sugerida é esta:
Sentar-se em postura de meditação, de olhos fechados ou abertos. Dispor-se interiormente ao estado de presença. Evite lutar contra as distrações, elas simplesmente existem. Retorne o foco sobre si mesmo(a) sempre que preceber que a mente flutua. Observe sua consciência como luz. Procure sentir que essa luz está acesa. Lembre-se do fato de que você não sabe quem a acendeu, que não foi você quem a acendeu e que ela brilha desde sempre. Manter-se por alguns minutos nessa sensação. A seguir, associe a tríade à respiração da seguinte forma: (1) na inspiração, sinta seu próprio ser, como consciência indivídual; (2) retenha suavemente o ar e sinta a presença mais ampla e sutil do seu ser, buscando a consciência universal; e (3) na expiração, sinta a presença do mundo, a materialidade e a multiplicidade. Em síntese: o ar vem para dentro e sentimos o individual; a respiração é suspensa e sentimos o universal; o ar sai e sentimos o mundo material. Permaneça nesse ciclo de 5 a 10 minutos e depois suspenda, mantendo-se ainda em estado de interiorização, permitindo-se estar apenas presente. Finalize quando sentir que é o momento.
Sobre tríade desejo-conhecimento-ação, falarei no próximo post. É essa tríade que explica o estado de contração da consciência divina, manifesto em nós, indivíduos.
dica: veja o post A meditação natural e ininterrupta para conhecer dicas gerais sobre o preparo para a prática de meditação.

* a foto (tirada por mim) mostra um Yoni-liṅga (símbolo da conjunção essencial entre consciência e matéria) de um templo shivaíta em Khajuraho.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Shivaísmo da Caxemira

Novos conhecimentos que têm me encantado...

Shivaísmo da Caxemira: a busca pela consciência divina 


Texto de João Gonçalves 
em O Som e a Escritura


O Shivaísmo da Caxemira é uma tradição que surgiu a partir do século oitavo da Era Cristã. Tem-se como grande marco a obtenção inspirada dos Shiva-sūtras por Vasugupta (ler o relato tradicional). Shivaísmo porque tem Shiva como fonte e objetivo principais, da Caxemira, porque se desenvolveu na região geográfica assim chamada.

Ainda que exista grande reverência a Shiva enquanto deus (aquele do tridente, dançante ou em postura de meditação), não é esse o principal sentido do termo shiva no Shivaísmo da Caxemira. Shiva é a consciência universal, consciência divina, a luz alimenta cada forma de consciência.

O objetivo da tradição não é entender o que é Shiva, mas vivenciar sua presença. Mas para vivenciar, entender é um dos mecanismos essenciais que ajudam o aspirante.

Trata-se de um progresso em que a prática e o conhecimento vão se ajudando passo a passo. Não há prática sem conhecimento, nem conhecimento sem prática. Os conceitos só valem quando são praticáveis e as práticas se potencializam quando amparadas pelo conceito.

No Shivaísmo, entende-se que todas as consciências individuais são manifestações limitadas de uma única consciência. Somos, portanto, Shiva. Essa forma de compreender amplia enormemente a dimensão humana. O ser humano está envolvido em meio a uma série de véus que o impedem de perceber o quanto ele é grandioso, o quanto sua presença é ampla e universal.

Para compreender essa idéia precisamos ter em mente o fato de que o mundo existe em níveis sutis e densos. No nível sutil, está a unidade, e no nível denso, a multiplicidade. Somos indivíduos limitados no nível denso e somos também presença universal ilimitada no nível sutil. Somos as duas realidades ao mesmo tempo. A principal finalidade das práticas é levar o adepto à capacidade de vivenciar as duas realidades ao mesmo tempo. Não se nega o mundo para experimentar o divino. Pelo contrário, entende-se que o mundo é emanação divina.

Uma prática de meditação preparatória para introduzir o aspirante nessa realidade é a seguinte:


"Fechando os olhos, inspiramos e sentimos nosso corpo, seu peso, sua presença física e tudo o que diz respeito ao denso. Expiramos, suspendemos a percepção do corpo e simplesmente “ficamos em nós mesmos”, sentindo nossa presença sutil. Ficamos nessa alternância por um período de cinco a dez minutos e, a seguir, mantendo os olhos fechados, deixando a respiração fluir naturalmente, observamos a nós mesmos, sentindo a própria presença total, densa e sutil."

dica: veja o post A meditação natural e ininterrupta para conhecer dicas gerais sobre o preparo para a prática de meditação.

* a foto (tirada por mim) mostra um Yoni-liṅga (símbolo da conjunção essencial entre consciência e matéria) de um templo shivaíta em Khajuraho.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sobre o medo e o amor...

O que determina se algo nos parece mau ou bom é o medo que sentimos desse algo, não a realidade! A realidade simplesmente existe e é boa, é Deus... O medo é o oposto do amor; onde há medo, não há possibilidade de perceber a manifestação divina sempre presente em tudo!!

Certamente, aquilo que me desagrada, aquilo que condeno, aquilo que rejeito, é sempre aquilo que temo... Me desagrada o que temo experimentar, condeno o que temo praticar, rejeito o temo vivenciar...

Se não há temor entre mim e o outro ou entre mim e um fato, não há rejeição, não há conflito, não há problema, há paz! Portanto não me parece ser muito inteligente perder-se em infindáveis trabalhos de catalogação daquilo que devo ou não fazer, de como devo ou não ser, de com quem devo ou não andar... Talvez seja bem mais sábio procurar observar por que temo o que não devo fazer, porque me assusta o que não quero ser, por que tenho medo daqueles com quem não devo andar...

Amor é união, é relacionamento e comunhão... Onde há medo, portanto, jamais poderá haver amor!



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sobre o limite de nossas crenças...

Se entrarmos em um quarto e fecharmos portas e janelas, ficaremos seguros e totalmente livres para caminharmos dentro desse quarto... Até o limite das paredes, obviamente!
Penso que assim são as crenças, as religiões, as teorias e as verdades... Espaços limitados dentro dos quais nos sentimos seguros e por onde podemos nos mover apenas até os limites das paredes dessas crenças. Ao nos depararmos constantemente com as paredes limitantes, podemos passar a evitá-las, limitando um pouco mais nossa mobilidade e fingindo que não há limites, ou podemos encarar a realidade e abrirmos a porta para sair!
De minha parte, tenho concordado cada vez mais com Krishnamurti, "nem aceito, nem rejeito" coisa alguma... Estou preferindo caminhar pela existência observando o que é real, sem preocupação de classificar o que observo como "verdadeiro ou falso", "certo ou errado"... É bem mais leve caminhar sem carregar bandeiras, até porque, de carregar uma bandeira a ter o impulso de sentar o mastro na cabeça de alguém, é um passo muito pequeno!



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sobre amor e afeição...

"Isso é afeição, isso é amor. Quando você fala à minha consciência desperta, ela é dura, esperta, sutil, aguda. E você a penetra, penetra-a com seu ver, com sua afeição, com todo o sentimento que tem. Isso opera, nada mais." Jiddu Krishnamurti

Creio que "penetrar a consciência do outro" tem tudo a ver com empatia e compaixão (pressupostos sem os quais não pode haver amor...). Quando sou capaz de abrir mão de mim e realmente me colocar no lugar do outro, sentindo suas aflições e suas dores, sou capaz de ver o outro de verdade, sou capaz de compreender suas motivações, e posso entender que até os atos mais desagradáveis não são iniciativas deliberadas contra mim ou contra qualquer outra pessoa, são apenas manifestações do conflito interno de cada um... Sou capaz de sentir, com todo o meu amor, o que vai dentro do outro, de penetrar amorosamente a alma do outro... Sou capaz de entendê-lo, respeitá-lo e amá-lo... E isso muda tudo, muda a nós mesmos e muda o outro, que se sente reconhecido, respeitado, aceito e amado...

Se aquele que é "penetrado" também está com sua "consciência desperta", ele também é capaz de ter uma atitude empática e não só sentir a compaixão do outro e se beneficiar com isso, mas também é capaz de se colocar no lugar daquele que o ama, é capaz de sentir as dores, emoções e motivações do outro, aceitando-as, validando-as, sem, no entanto, misturar suas próprias emoções com as do outro... Sua consciência desperta é "dura, esperta"... Ele se mantém fiel a seus próprios princípios, atento ao outro e a si mesmo, mas não só às ações e comportamentos, pois sua consciência é "sutil e aguda", ou seja, ele é capaz de perceber além, perceber a verdade que move as pessoas, os reais conflitos por trás das atitudes mais banais...

A questão principal parece estar além da aceitação das ações do outro, pois isso é só resignação a algo que pode nos ser, muitas vezes, até desagradável... A afeição e o amor operam num plano mais profundo, em uma possibilidade de compartilhar as motivações íntimas do outro, colocando-se no lugar dele e sendo capaz de entender e sentir seus medos e conflitos. Aquele que ama entende o que move o outro, respeita e aceita a causa real desses conflitos, não se limita a observação das condutas exteriores, pois elas, por si só, são uma ilusão... Tanto palavras como ações são manifestações dissimuladas do vai dentro de nós, daquilo que realmente é, daquilo que somos para além de nossos egos.


Para chegar ao amor, é necessário "penetrar" o outro, para ver além do que ele faz ou como ele age, é preciso ser capaz de sentir o que ele sente, e isso não tem nada a ver conosco, como também os atos do outro não têm nada a ver com a gente... são só a manifestação exterior de quem o outro é! Para aceitar e amar, é preciso ir além, sentir o que o outro sente e entender que isso não nos diz respeito, não é pessoal, não é contra ou a favor e nós e de nosso imenso ego... Para aceitar e amar, é preciso aceitar amorosamente os conflitos do outro, permancendo firmes e atentos a nossos próprios conflitos... E isso é muito, mas muito mais do que aceitar o que o outro faz, diz ou do que o outro gosta... É aceitar a manifestação divina, porém impermanente que é o outro... É aceitar a impermanência e a imperfeição... É amar o que nos parece belo, tanto quanto o que nos parece feio... É respeitar o agradável e o desagradável... é permitir o fluxo, o rio, de nossa existência e da do outro...

E, quando ambos estão nesse fluxo, vivenciando a possibilidade de estar plenamente atentos aos sentimentos do outro, aos conflitos do outro, sendo capazes de observar a aceitar amorosamente, sem tentar mudar nada, mas simplesmente comprendendo e validando o outro com um amor compassivo e empático, acho que ambos encontram um espaço de crescimento pessoal, de auto-aceitação e de aceitação do outro... E, nesse espaço, pode haver mudança, pois o melhor de cada um encontra condições para aflorar, pois não há projeções, só há empatia e compaixão... aí sim o amor "opera"; a presença de Deus, que é o amor, pode ser fazer sentir e pode fluir através das consciências plenas, sem esforço!...

Resumindo, não basta aceitar as atitudes e preferências do outro para amá-lo, pois é bem possível fazer isso sem amor algum, usando apenas um pouco de resignação e distanciamento! Mas amor não é distanciamento, é proximidade, é união... Para amar, é preciso, como diz Krishnamurti, "penetrar" o outro, ser capaz de entender e sentir o que o outro sente, ser capaz de reconhecer quais são os conflitos que levam o outro a ter as atitudes que ele tem... Se, ao estar "dentro do outro" e observar quem é esse outro, sou capaz de fazer isso sem julgamento, sem esforço e com delicadeza, então realmente eu sou capaz de amar, pois não quero mudar a pessoa amada, quero apenas estar emocionamente perto, conhecê-la, senti-la e respeitar alguém que, tanto quanto eu, é a "divina presença de Deus manifestada"!

domingo, 24 de julho de 2011

O que eu sou...

Não importa quanto esforço eu empreenda em deixar de ser o que eu sou, pois eu sempre serei irremediável e exatamente a manifestação daquilo que sou... Porém, curiosamente, parece ser apenas pelo incessante empenho em deixar de ser aquilo que sou, que vai-se me tornando possível enxergar aquilo que realmente sou!...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Apego às coisas intelectuais

Tive realmente um choque quando percebi que eu era tão apegada às coisas intelectuais como já fora às coisas materiais!

Depois de uma aula bastante interessante e estimulante, comecei a ter um faniquito interno, achando que eu precisava aprender mais, saber mais, estudar mais, conhecer mais... Senti um imenso conflito, pois não entendia como conhecimentos tão profundos, e que haviam me parecido tão sublimes, podiam estar me causando, num momento posterior, algo que se parecia mesmo com um tremendo mal estar interno.

Foi então que percebi que eu já havia experimentado, em outros momentos, aquela mesma sensação, aquele mesmo sentimento, mas por outra causa... Aquela era a mesma sensação que eu havia tido há muitos anos, quando passei por uma tremenda crise financeira... Naquela época, eu ia ao shopping, queria comprar várias coisas e não podia... Ali estava novamente a mesma sensação, o mesmo sentimento... O desejo frustrado, a vontade de possuir mais, o mesmo faniquito!

Em um momento passado, eu queria roupas, sapatos, viagens... No outro momento, eu queria cursos, livros, conhecimento... A essência, o querer era idêntico! E a frustração idem...

Assim eu sigo, observando um apego de cada vez... E entendendo que o que está fora só muda, se mudar o que está dentro! Afinal, apego é apego, desejo é desejo, frustração é frustração, não há causas mais ou menos válidas, mais ou menos nobres... O que é é, mesmo que eu tente camuflar a verdade!


sábado, 9 de julho de 2011

Meu filho é superdotado?

Dando seguimento ao tema...

Meu filho é superdotado?

Tenho um amigo que costuma dizer que “superdotadas são todas as crianças hoje em dia”. Esse comentário reflete a realidade inegável de que as crianças hoje são expostas a uma imensa quantidade de estímulos e têm um desenvolvimento cognitivo muito mais acelerado do que antigamente. Mas o comentário reflete também um equívoco muito comum, achar que superdotados são “crianças inteligentes”.

Há, na literatura científica, muitas definições para superdotação, mas um conceito é comum a todas elas: superdotado é aquele que apresenta uma habilidade superior à media em uma ou mais áreas específicas (lógico-matemática, linguagem, artes, música, relações interpessoais, etc). Portanto, se a média de “inteligência” das crianças aumentou, superdotados serão aqueles que estiverem acima dessa média atual.

Há variações, mas geralmente cerca de 3% da população apresenta habilidades cognitivas muito acima da média. Se considerarmos também quesitos como liderança, criatividade ou habilidades artísticas, esse percentual deve subir para cerca de 20%. Em uma cidade como Rio Preto, temos, portanto, por volta de 80.000 pessoas que poderiam ser classificadas como superdotados e que teriam direito a uma educação e a um atendimento específicos na infância.

Constatados os números, surge um grande problema: como identificar essas crianças?
Há características comuns aos superdotados como: grande capacidade de concentração para temas de seu interesse, precocidade, aprendizagem rápida, curiosidade exacerbada, alto nível de energia, memória prodigiosa, senso de humor, preferência por estabelecer relações com pessoas mais velhas, entre outras. Porém nenhuma dessas características isoladamente indica a superdotação, e há casos em que a identificação dessas características fica extremamente dificultada por histórico familiar ou escolar comprometidos.

As pesquisas sobre formas adequadas para identificação de superdotados ainda são recentes e apresentam divergências. Alguns pesquisadores trabalham com a identificação feita pela escola no início da vida acadêmica dos alunos, através do  acompanhamento direto dos professores. Há quem discorde desse método, pois professores despreparados podem ser incapazes de identificar, por exemplo, crianças talentosas que não consigam que adequar à rotina escolar. Os testes psicológicos, que procuram mensurar a inteligência através de números (QI), também apresentam muitas limitações, principalmente para a identificação daqueles que tenham habilidades, por exemplo, psicomotoras, artísticas ou interpessoais.

As ferramentas disponíveis para a identificação de crianças habilidosas são várias, embora limitadas. O fundamental é que pais e profissionais que assistem à infância (médicos, professores, psicólogos, etc) tenham acesso a informações adequadas e que possam contar com uma rede de sustentação, tanto para identificar, quanto para acompanhar o desenvolvimento da criança.

Como já dissemos no artigo anterior, o superdotado tem direito por lei a profissionais especializados; o que precisamos, portanto, é de políticas públicas que incentivem a especialização desses profissionais e de pessoas realmente comprometidas que busquem as informações disponíveis, para que deixemos de tratar nossos “gênios” com ritalina.

Para saber mais: Desenvolvimento de Talentos e Altas Habilidades: Orientação a Pais e Professores (Denise Fleith, Eunice Soriano de Alencar – Ed. ARTMED); Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação (www.apahsd.org.br);  Associação de Pais e Amigos para Apoio ao Talento (www.aspat.ufla.br)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A inclusão dos alunos superdotados

Mudando em pouco de assunto...

A inclusão dos alunos superdotados

As designações são inúmeras: superdotados, crianças com altas habilidades, gênios, talentosos... Todas elas, porém, referem-se a pessoas com capacidade acima da média em uma ou várias áreas específicas (cognição, artes, música, liderança, etc). A potencialidade acima da média normalmente é acompanhada de singularidades que tendemos a classificar positivamente como rapidez e facilidade para aprender ou alta capacidade de abstração; e outras, que perturbam profundamente a ordem familiar e escolar, como intolerância à rotina, hipersensibilidade e desafio de autoridades.

Muitos estereótipos estão associados à superdotação: arrogância, genialidade, loucura e outros absurdos. A criança superdotada não tem necessariamente um excelente desempenho acadêmico (nem todo superdotado é “gênio” ou “nerd”!), ela não é capaz de atingir plenamente seu potencial sem estímulo e orientação, ela não tem desempenho igualmente brilhante em todas as áreas. Os mitos são reflexo do pouco que se sabe sobre o assunto. No próprio meio acadêmico, as pesquisas sobre a inclusão dos superdotados estão cerca de trinta anos atrás das pesquisas sobre outros tipos de inclusão.
Hoje, o superdotado tem seus direitos garantidos por lei. A criança que apresente habilidade em muitas áreas pode (e às vezes deve) ser acelerada nas séries escolares, mas, quaisquer que sejam as características dessa criança, ela tem direito a profissionais especializados e a ações específicas, como projetos de aprofundamento no contra-período escolar. A criança talentosa precisa conviver com a diversidade, mas também precisa de um momento em que possa conviver com seus pares e ter acesso a um conhecimento mais profundo e estimulante dos conteúdos de seu interesse. Evidentemente, na realidade, isso não acontece. Raríssimas são as escolas que oferecem essa possibilidade ao aluno com altas habilidades e, em nossa cidade, isso simplesmente inexiste.
Muitos profissionais desinformados chegam a afirmar que não se deve estimular excessivamente essas crianças (certamente porque isso atrapalha a rotina engessada da sala de aula), mas negar-lhes o acesso ao conhecimento é como negar-lhes o alimento de que necessitam para seu desenvolvimento físico. Ou seja, uma crueldade!
A criança e a família têm o direito de saber e receber orientação adequada sobre a superdotação, pois ninguém pode atingir o melhor de suas possibilidades sem autoconhecimento e sentindo-se um estranho em seu universo social. Negar ao superdotado o acesso ao estímulo e ao conhecimento é desperdiçar futuros cidadãos brilhantes, que poderiam ser educados e orientados a contribuir imensamente com um futuro melhor.
Se a inclusão hoje é tema em pauta, isso não ocorreu sem esforço e muita reivindicação da sociedade, cobrando políticas públicas e iniciativas privadas que atendessem a essa demanda. Como pais e responsáveis pelo desenvolvimento dessas crianças, cabe a nós reivindicarmos tanto do poder público, quanto das escolas e dos profissionais que cuidam de nossos filhos, um olhar mais atento e iniciativas adequadas para seu desenvolvimento intelectual e emocional. O superdotado tem direito a profissionais competentes para orientá-lo e à sua família, a escolas que ofereçam programas de enriquecimento e a verbas públicas destinadas a pesquisas e a projetos sociais na área. Mas, certamente, nada disso existirá se nós, como pais, não reivindicarmos, por nossos filhos, esses direitos.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre os rituais de sacrifício...

Acho interessante pensar que, quando julgamos a “perversidade” da ritualística dos sacrifícios humanos, estamos julgando pela ótica de nossa perspectiva individualista.
Nas comunidades gregárias onde esses sacrifícios aconteciam, acho difícil acreditar que estava realmente presente a idéia de sacrificar “o outro”... Creio que essa conduta ritualística seria mais próxima de algo como “matar uma parte de si mesmo”.
É bom lembrar que esses grupos eram bastante vulneráveis às vicissitudes externas (clima, inimigos, doenças, condições geográficas e ambientais) e viver em comunidade era fundamental para a sobrevivência, portanto, quanto mais gente para proteger o grupo, melhor...
Quando eles realizavam um sacrifício de membros desse mesmo grupo, estavam sacrificando indivíduos que fariam falta na defesa e preservação dos outros. Quando sacrificavam virgens, estavam diminuindo a possibilidade de perpetuação do grupo e de cuidados com as crianças. Quando sacrificavam inimigos capturados, estavam sacrificando mão-de-obra escrava extremamente útil. Quando sacrificavam animais, estavam abrindo mão de animais que poderiam fazer muita falta como alimento posteriormente.
Num exercício de desapego aos juízos de valor, realmente entendo que esses rituais foram extremamente necessários, para a internalização no inconsciente coletivo daquilo que entendemos hoje como fazer “sacrifícios” de alguns hábitos e confortos em função de atingir outros objetivos...


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Luz e sombra... E o amor!

De minha parte, não gosto do que exclui ou condena, prefiro o que une e integra!

Grande revelação tem sido descobrir que meu corpo, meus desejos e meus sentimentos não são um caminho perigoso, uma estrada de tentações condenáveis a me encaminhar a algum presumível “inferno”... Descoberta maravilhosa tem sido, perceber que tudo o que vivo e experimento é a manifestação de uma mesma essência divina, pois nada há que exista fora de Deus, uma vez que Ele é tudo, continente e conteúdo, essência e manifestação... Divino mesmo tem sido descobrir que meu corpo, meus sentimentos, minhas emoções e todas as relações que se manifestam em minha vida, exatamente da forma como se manifestam, são, na verdade, um caminho rico e maravilhoso, que me conduz ao único lugar onde se pode chegar, ao centro, à verdade, a Deus! Isso é yoga, não? Integração, união...

Qualquer desenhista iniciante sabe que, sem as sombras, não há profundidade... Pois assim também é nossa jornada de auto-conhecimento, sem a integração daquilo que julgo ser "defeito", sou uma pessoa, rasa, plana, superficial... Se eu for capaz de amar aquilo que chamo de “sombras”, tanto quanto desejo amar aquilo que chamo de “luz”, certamente não haverá mais sombra ou luz, haverá apenas amor!





terça-feira, 21 de junho de 2011

À procura de gurus...

Quem é o mestre, quem é o guru? Por quem procuro quando busco palavras sábias, palavras de conforto e iluminação?
Não busco nada, não busco a verdade, não busco a essência, não busco o que realmente é... Busco apenas um breve consolo para o cansaço, que surge entre os momentos de satisfação de meus sentidos; busco uma breve pausa, para alimentar meu ego com a sensação de que as “coisas do céu” podem me ensinar a lidar com as “coisas da Terra”...
Pelo que busco quando digo querer a verdade? Busco pela verdade que satisfaça meus desejos infantis de auto-aceitação, busco a verdade que reforce todos os meus condicionamentos prévios...
Se não é essa a verdade que se manifesta, não posso aceitá-la como verdadeira... Se as palavras não encontram eco entre meus valores, entre minhas necessidades e minhas expectativas, ouço meus próprios pensamentos se desdobrando em críticas afiadas e lógicas contra tudo o que é dito...
Para serve o mestre? Para que serve o guru? Serve-me apenas se dizer aquilo que quero ouvir, serve-me apenas se me oferecer um consolo passageiro, para que eu possa migrar de uma sensação a outra, para que possa me mover do desagradável para o agradável...
Que mestre é esse então? Que guru é esse? Que verdade é essa que tem como função única satisfazer minha insatisfação momentânea, conduzindo-me da sensação de desorientação, para a sensação de sabedoria suprema, que me coloca acima de todos, entre eleitos à parte do mundo? Que verdade é essa que infla meu ego e me isola?
Essa definitivamente não é a verdade, isso tudo sou apenas eu, eu e meu imenso ego desdobrando-se em artifícios intelectuais, para que eu tenha certeza daquilo que sequer existe...
E o que existe?  O que existe é a inexistência de mestres ou gurus, a inexistência de qualquer verdade externa que possa ser inoculada nos discípulos... O que existe é aquilo que une, que iguala, não o que separa... O que ensina está separado do que aprende, portanto ambos não existem, pois estão separados... O que realmente existe é a essência que a tudo permeia e em tudo se manifesta, e reconhecer essa essência é aceitar a frustração suprema de não ser dono dessa essência, de não poder jamais possuí-la...
A verdade é que a essência é apesar de mim e que eu posso não estar realmente querendo aceitar isso, que eu posso não desejar enxergar a verdade de que, sendo tudo, nada sou, assim como todos...


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Relação com a Divindade...

Não importa a forma como é manifestado, importa sempre o sentimento presente... Recebi por e-mail essa mensagem singela e gostei muito!... Ainda que estejamos personificando a Divindade, o que vale e sutileza da relação íntima que somos capazes de estabelecer com ela...

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: - “pai, começa o começo!”. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis......

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:

“Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.

Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Pai, começa o começo!”.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Amor e Compaixão...

Agradeço a Deus, hoje, por conseguir penetrar, ainda que levemente, o sagrado espaço da compaixão... Nele, minha alma se amplia, regozija-se e se torna plena, plena de si e plena do Todo... Sinto-me, ainda que brevemente, ligada àqueles por quem meu coração vibra, sinto a sutiliza imutável da afeição que me une a tudo e a todos que sou capaz de amar...
E, por mim, que mais posso fazer, senão receber essa graça, deleitar-me com ela e rogar ao Pai que todos possamos um dia desfrutar incessantemente da plenitude do amor eterno...
Entrego-me plenamente, nesse momento eterno, à infinita plenitude de sentir aquilo que, ainda que tivesse todo o tempo, toda a habilidade e todas as palavras do mundo, não poderia nem mesmo chegar perto de conseguir descrever... Entrego-me à verdade absoluta que é o amor!


domingo, 12 de junho de 2011

Pouso sobre a cabeça e minha voz interna...

Um dia, em uma aula de yoga, estava eu lá, tentando construir meu pouso sobre a cabeça, completamente presente, atenta e sem expectativas... Realmente estava só observando o que acontecia com meu corpo e o que eu sentia... Nesse processo, fui tomada de grande contentamento, pois percebi quanto estava avançando em relação aos medos e dificuldades anteriores... Eu estava consciente de que um dia faria o pouso completo, mas estava totalmente satisfeita por investigar o que estava acontecendo naquele momento... Aí ouvi o professor de yoga dizer que era só eu levantar as pernas, que elas estavam pedindo pra subir...

Naquele momento, eu tentei, desequilibrei e desci... um tanto desconfortável, pois eu sabia que não estava pronta... Ou seja, não ouvi minha voz interior, ouvi a sua voz do outro...

Essa percepção foi muito rica e ampla pra mim, pois depois fiquei avaliando uma busca constante minha por sinais externos... Parece que sempre tive necessidade de que Deus me mostrasse, através de algum sinal que eu pudesse entender, se o que eu estava fazendo era o certo... Às vezes buscava esses sinais, essa “validação de Deus”, nos conselhos dos outros, em alguma leitura sagrada, em previsões astrológicas ou sabe lá mais o quê... Mas, naquele dia, senti o tanto de sabedoria interna que tenho (que todos temos!) e como tenho sido surda pra essa sabedoria...

Não importa que, aos olhos dos observadores externos, eu esteja aparentemente pronta ou no caminho certo; talvez eu realmente esteja e eles possam perceber isso antes de mim, mas, só quando a minha voz interna me der o sinal, eu serei capaz, eu estarei no caminho certo, no meu caminho... Pode ser que essa voz interna só não tenha falado ainda, por causa dos meus medos, mas, mesmo assim, tenho de respeitá-la, testando amorosamente meus limites, ganhando confiança, estando contente e avançando sempre com cada pequeno passo que eu for conseguindo dar... Ainda que sejam apenas medos tolos que não me permitam à entrega de uma postura, ou seja lá do que for, esses medos estão lá, ainda precisam de minha observação atenta e de meu amor compassivo, pra que venham à luz e se desfaçam pelo poder transformador do amor...

...e tenho certeza, como já experimentei em outras situações, que, quando esse amor tiver penetrado de tal forma que eu possa enxergar toda a minha potencialidade, aí chegará o momento em que a as vozes externas que chegam aos meus ouvidos serão o eco audível da minha voz interna e, aí sim, minhas pernas estarão prontas pra subir no pouso sobre a cabeça, como também minha alma estará pronta pra "subir" em direção à luz!


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Outro e eu...

Se eu realmente pudesse enxergar o outro, o que eu veria?
Veria meus medos, minhas incertezas? Veria minhas realizações irrealizadas? Veria minhas virtudes não alcançadas? O que eu veria?
Se eu pudesse realmente sentir o outro, o que eu sentiria? Sentiria o amor que não sou capaz de expressar? Sentiria a dor da qual fujo incessantemente? Sentiria o medo aterrorizante de ser algo indesejado?
Se eu pudesse realmente estar com o outro, onde eu estaria? Estaria em castelos construídos sobre as nuvens da ilusão? Estaria nas profundezas do mar dos nossos medos inconscientes? Estaria deitado na relva suave dos sonhos impossíveis? Onde eu estaria?
Se eu pudesse realmente ver, sentir e estar com o outro, eu estaria exatamente onde estou, seria exatamente o que sou, sentiria exatamente o que estou sentindo... Se eu pudesse realmente estar plenamente consciente de mim mesmo, concederia ao outro a benção de poder também estar plenamente consciente de si mesmo... E, quando assim estivéssemos, ambos plenamente conscientes, então nós não mais nos veríamos, não mais nos sentiríamos, não mais estaríamos juntos, pois nós estaríamos unos, plenos e conscientes junto à mesma Consciência Suprema que habita em cada um de nós desde sempre...


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nossas sombras...

Se há alguém que realmente possa nos atrapalhar, esse alguém está dentro de nós mesmos, esperando que sejamos capazes de olharmos amorosamente para dentro, com o amor que penetra e transforma tudo...

A voz

Hoje ouvi a voz dessa madastra
Tenho ouvido sempre, mas nunca houvera percebido
Uma voz aguda, impiedosa, implacável, soturna e tenebrosa
Uma voz que rasga o véu de pureza que tece minha alma
Uma voz dura e cruel

Quantas noites passei aos prantos, embalada por essa voz carnicenta
Essa voz da podridão humana, que desconhece sentimentos
Quantos dias de tortura intensa, me debatendo entre as dores de feridas abertas

Que tristeza, meu Deus, tristeza funda na alma
Na alma dilacerada e desacreditada do amor
A alma que se cobra, que se vigia e se retalha aos poucos, dia a dia, sem piedade, sem comiseração

Afasta, meu Deus, afasta de meus ouvidos essa voz cruel
Tira de dentro da minha alma essas palavras secas, estéreis e venenosas
Que se faça luz onde reinaram as trevas; que se faça amor, onde viceja só medo

Aceita, alma minha, apesar de todas as cicatrizes, a loucura dessa voz
Olha piedosamente para ela, com a piedade que ela jamais soube sentir
Aceita a limitação daquilo que não é, e busca, dentro de você mesma, minha alma, aquilo que realmente é...


terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre a aceitação do outro...

Algumas reflexões que surgiram da conversa com amigos...

Gostaria de que aquilo que considero serem minhas virtudes não se convertesse em pretextos para eu me criticar os outros! Não me parece haver grande virtuosidade nessa conduta...

De que me adianta não comer carne, se isso é motivo pra criticar quem come? De que me adianta ter orgulho da minha "generosidade", se critico quem eu acho que é egoísta? De que adianta dizer que "creio em Deus", se olho com menosprezo pra quem diz que não crê... Aquilo que me separa do outro jamais pode ser considerado uma virtude, penso eu!

Acho que só aceitamos no outro aquilo que já somos capazes de aceitar em nós mesmos... Senão, o máximo que conseguimos fazer é ter um postura de condescendente superioridade: "Coitado, fulano ainda não entende isso!..." E, neste caso, quando não há aceitação verdadeira, não há troca, não há união...



domingo, 5 de junho de 2011

O nada que posso é muito!

O que eu posso? Eu nada posso...
Só posso sentir saudades, pois as pessoas se afastam de mim... Só posso ter posses, pois as coisas chegam a mim... Só posso sentir alegria, pois as coisas acontecem a mim... Só posso sentir medo, pois os perigos se aproximam de mim...
O que eu realmente posso? Eu nada posso...
Só posso nascer, pois células se agrupam para me receber... Só posso adoecer, pois doenças se instalam em mim... Só posso morrer, pois a morte passa por mim...
O que eu realmente posso fazer além de assistir a toda a existência? O que eu posso para além da impermanência das coisas? O que eu realmente posso para além da poderosa e incontestável mutabilidade de tudo? O que eu realmente posso além de reconhecer e reverenciar a força suprema que rege tudo o que há e o que pode haver, mesmo sem nunca ter existido?
O que posso eu diante de tão suprema bondade e amor, que a tudo governa e provê? O que posso eu diante de minha pequenez grandiosa?
Posso estar presente, sempre e eternamente, e assistir maravilhada a obra da criação se renovar magicamente diante de meus olhos... Posso, estarrecida e deslumbrada, observar o amor que passa por mim em direção ao outro, num fluxo eterno emanando e retornando sempre ao Imutável, ao que é sem nunca ter sido...
Posso ser parte do Todo e ser grata por me sentir mais uma nota sublime e fundamental em toda a sinfonia da criação!


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Comentários sobre o post anterior...

Minha querida amiga Marilda não conseguiu deixar seu comentário ao meu post anterior e me mandou por e-mail... Portanto aqui vão suas muito lúcidas considerações!!

O Divino concentra-se numa força imparcial eternamente à disposição de tudo e de todos. Seja através de projeções paternas, maternas ou de crianças birrentas, a fonte inesgotável continua fluindo incessantemente à favor daqueles que a buscam. Como atingir e se beneficiar dessa fonte? Como manter-se conectado a ela? Livrando-se das vestes mentais que aprisionam o "Eu Verdadeiro", impedindo-o de elevar a consciência até o ponto superior de onde jorra sua essência: o Divino. Somente ali, o "um" e o "todo" transformam-se numa única vibração. Ali o homem se faz Deus. Ali não existem percepções dos papéis, das expectativas, das adversidades, das dificuldades, das alegrias ou das tristezas. Ali tudo é Perfeição. A Luz da Sabedoria Divina, que não conhece restrições, a tudo ilumina indistintamente produzindo o amor que tudo pode, tudo cura, tudo transforma, tudo desenvolve. Amálgama dos milagres. Ali, o tão sonhado paraíso. Apesar de termos a eternidade ao nosso dispor, busquemos agora mesmo, através da meditação, transcender o raso da nossa humanidade fenomênica, elevar nossa consciência e avançar confiantes em direção à fonte de Luz Divina que há em nosso interior. Aqui e agora! Eu confio.

A minha resposta ao seu título: “Você é fraco ou forte?” é “Eu sou Deus, assim como todos os seres humanos!”